Ganhei o trabalho dos sonhos em um hackathon

Viktor Marinho
Viktor Marinho
28 de julho de 2026
Ganhei o trabalho dos sonhos em um hackathon

Meu nome é Viktor, mas todo mundo me chama de Camudo. Eu sou desenvolvedor e, dois anos atrás, meu trabalho era construir ferramenta interna numa empresa grande. Uma plataforma web pro jurídico cuidar de contrato, outra pra calcular quanto tempo cada funcionário ficava alocado em cada projeto. Era tranquilo demais, não exigia muito de mim. Eu terminava o que tinha pra fazer antes do dia acabar e a energia que sobrava eu gastava inventando side projects.

Não foi processo seletivo nem currículo bem montado que me tirou de lá: foi um hackathon que eu achei por acaso num post aleatório, num fim de semana. Hoje eu sou engenheiro na Deco, e o detalhe que resume melhor o quanto isso mudou minha vida é que eu parei de fazer side projects. Não porque desanimei, mas porque o trabalho principal ficou divertido o suficiente pra eu não precisar procurar diversão em outro canto.

Resolvi escrever isso porque a Deco vai rodar mais um hackathon no dia 01/08, o Agents for Commerce, e eu queria contar como uma experiência dessas pode mudar o rumo de uma carreira.

Antes da Deco, eu tinha trilhado um caminho bem normal de dev. Fiz o ensino médio integrado ao técnico, aquele de desenvolvimento de sistemas, e quando terminei a escola entrei como aprendiz numa grande multinacional da indústria. Uma dessas empresas gigantes no mundo inteiro, mas que não é de software: ali o software é apoio ao negócio principal.

Comecei como estagiário, aprendi a programar de verdade ali e fui efetivado fazendo o que quase todo dev fazia lá dentro. Fora do trabalho, ou eu codava um projeto meu de qualquer coisa, ou entrava numa onda de caçar hackathon pra participar. Era esse o meu estado de espírito quando a virada aconteceu.


O primeiro hackathon

Eu tava um dia navegando na internet e encontrei o Tavano (Engenheiro da Deco) divulgando um hackathon da Deco.

Bati o olho e falei na hora: "caramba, um hackathon aqui, dá pra ganhar cinco mil, bora participar". Chamei meu amigo, nós dois fomos lá e nos inscrevemos. Foi literalmente isso: um post aleatório num site aleatório num dia aleatório.

E olha, foi um dos primeiros hackathons que eu participei na vida. Eu nem sabia direito como ia funcionar, tava mais ali pra explorar, já que o trabalho não me empolgava muito na época. Mas eu sempre gostei de competição, acho uma das coisas mais divertidas que existem, e programar competindo tinha tudo pra ser bom. E foi.

A gente fez tudo pelo Discord. Teve uma call no Zoom explicando as regras e o hackathon rolou ao longo de um fim de semana. Teve hora de virar a noite e teve hora de dormir também, eu mesmo apaguei no meio da madrugada. A parte que eu mais curti foi apresentar. Hackathon tem muito a ver com montar uma empresa de verdade: você constrói o negócio, sobe pra apresentar e tem que vender a ideia na frente de todo mundo.

O que eu montei nesse primeiro foi uma plataforma pra aprender a programar em cima do CMS da Deco. Eram umas lições interativas em que a pessoa escrevia um código no browser e o sistema checava na hora se tinha dado certo. Naquela época ainda fazia todo sentido aprender codando as coisas mais básicas na mão. No fim, os jurados decidiram que eu tinha ganhado.


O segundo hackathon

Ganhei o primeiro e segui no meu trabalho normalmente. Uns seis meses depois, a Deco anunciou outro hackathon, e dessa vez eu já cheguei animado. Fui atrás dos meus amigos e falei: "da última vez eu participei e ganhei, dá pra ganhar, é só vir com confiança". E acabei levando uns dez amigos, uns três ou quatro grupos diferentes.

O detalhe engraçado é que quem ganhou esse segundo foi o Ventura, com um projeto de recomendação de produto. Olha as voltas que a vida dá: hoje a gente trabalha junto.

Meu projeto dessa vez foi um app de live commerce pros sites da Deco. Live commerce é aquele formato popular na Ásia: a pessoa faz uma live mostrando e vendendo produto na hora, e o público manda reação num chat em tempo real. Eu fiz um plugin pra qualquer e-commerce da Deco conseguir adicionar isso fácil. A parte divertida de engenharia era justamente fazer funcionar em tempo real no servidor e encaixar no framework, que na época era tecnologia nova.

Foi logo depois desse segundo hackathon que o pessoal da Deco me chamou no LinkedIn: "você veio de novo e foi bem de novo, não quer vir trabalhar com a gente?". E veio na hora certa. Eu acho que a maioria dos devs carrega essa vontade de trabalhar em algo legal, algo de fronteira, mas quase todo mundo acaba num trabalho corporativo fazendo uma coisa não tão empolgante. Não é à toa que tanta gente vive começando side project: é a tentativa de achar em outro lugar a diversão que o trabalho principal não entrega.

Tanto que quase todos os meus amigos acabaram saindo de lá. A maioria foi pro Mercado Livre, pro Nubank, as maiores empresas de dev do Brasil e, ao contrário de onde a gente estava, primariamente de software. São ótimos lugares. Mas são empresas de dezenas de milhares de pessoas, onde você tende a ser mais um, tocando uma tarefa dentro de uma engrenagem gigante.

Eu queria o oposto disso: pouca gente, muita responsabilidade, você faz o que tiver que ser feito. Era exatamente o que eu procurava, e eu já andava saturado do meu dia a dia. Aceitar foi fácil. Entrei no comecinho de janeiro de 2024.


O que mudou

No meu trabalho antigo, no fim, tinham me pedido pra voltar ao presencial, mesmo numa função que claramente não precisava disso. Teve dia em que eu era praticamente o único da minha equipe no escritório, fazendo todas as reuniões remoto de lá mesmo. E ainda tinha o deslocamento: acordar cedo, pegar ônibus pra cidade vizinha e depois o fretado da empresa. Se perdesse o fretado, já complicava o dia inteiro. Era um esforço grande pra uma presença que, na prática, não mudava muita coisa.

Uma das primeiras coisas que eu gostei quando entrei na Deco foi justamente a liberdade oposta a isso: 100% remoto, com horário flexível, cada um trabalhando quando rende mais. Se num dia eu preciso descansar à tarde e compensar depois, é só avisar, e ninguém trata isso como problema. Esse nível de confiança e autonomia faz diferença de verdade no dia a dia.

Outra coisa que pra mim vale muito é o ownership. Aqui cada um consegue ser dono de alguma coisa e levar do início ao fim, chamando quem precisar pra ajudar no caminho. Lembra bastante o handbook da Valve (versão em inglês), aquela ideia de que você trabalha onde está mais animado e onde acredita que é o melhor uso do seu tempo naquele momento. Se eu acho que algo não faz sentido, tenho liberdade de dizer isso e propor outro caminho. No trabalho anterior era o oposto: muita decisão chegava pronta em mim, e não era raro estar refazendo algo que nem precisava ser refeito.

E tem o time, que faz toda a diferença. Eu trabalho com muita gente boa, que domina bem vários assuntos, e num ambiente assim você aprende bem mais rápido. Some a isso o fato de que praticamente todo código que eu escrevo é open source: qualquer pessoa pode abrir o GitHub e ver o que eu faço. Poder ganhar a vida escrevendo código aberto é algo que eu sempre quis.

Lembra dos side projects que eu comentei no começo? Não tenho sentido falta.

E a diversão não fica só na tela. A gente viaja pra vários cantos do país fazendo eventos, teve um off-site em Paraty que foi sensacional. Eu mesmo acabei me mudando pra São Paulo: a Deco alugou uma casa aqui, a Deco House, e eu vim morar com dois amigos que também são da empresa. A gente mora junto, trabalha junto e faz um monte de coisa junto. Quando o que você acha divertido e o que você faz todo dia são a mesma coisa, dá pra ser muito feliz.


Agents for Commerce

Agents for Commerce — hackathon de agentes pra e-commerce da Deco

Foi um post aleatório num fim de semana que me trouxe até aqui. Agora tem o Agents for Commerce, o hackathon de agentes pra e-commerce da Deco. São R$10 mil em prêmios pro top 3, e todo mundo que utilizar o Studio ganha crédito. Usar não é obrigatório, tá ali só pra você experimentar.

Se você gosta de construir, participa. Você vai achar que não tem tempo de entregar nada perfeito, ou que ganhar é improvável. Eu não era gênio de nada, e continuo não sendo. Mas escolher qual problema resolver, descobrir o que dá pra fazer com as ferramentas que te deram, montar um produto e subir pra apresentar é engenharia, design e venda no mesmo fim de semana. E mesmo perdendo, no domingo você tem um projeto que não existia na sexta.

Chama seus amigos e vem. Foi exatamente assim que começou pra mim.